À caminho de casa...
"Meu medo é ficar tão longe e esquecer a fonte que me leva pra casa."
Meu Medo - Morada
"Meu medo é ficar tão longe e esquecer a fonte que me leva pra casa."
Meu Medo - Morada
Quando eu era pequena, lá em casa, fazíamos "a compra do mês", íamos todos. Meu pai, minha mãe, meus dois irmãos e eu. Essas compras renderam muitas histórias pra contar...confusões, promessas de cintadas (que eram cumpridas ao chegarmos em casa, rs), choros de birra e, algo que pra mim, particularmente, era incrível, poder ficar passeando no corredor de brinquedos. Criança é sempre engraçado, diverte-se com a coisa mais patética do universo e, ao mesmo tempo, nunca esta saciada de brinquedos, não importa quantos tenha! E deve ser por isso que eu amava quando minha mãe me deixava ficar olhando (e brincando) no corredor de brinquedos que todo mercado tem. Ahhh tinha tantos! Eu ficava escolhendo quais eu queria, mesmo sabendo que nem ia comprar nenhum, era mágico ficar lá, olhando...fuçando... Tinha o corredor dos brinquedos de meninas e o corredor dos brinquedos de meninos, embora meu irmão ficasse neste de vez em quando, eu, que sou a caçula, sempre queria ficar mais e ia ficando...ficando...e por mais que aquele corredor me cativasse, chegava um momento em que eu sentia falta dos meus pais e até dos meus irmãos (hihihi), eu percebia que ninguém estava por ali, não ouvia o som de suas vozes, nem a imagem tão familiar de seus rostos.
Eu tentava ficar com eles e ser rápida no meu momento especial no corredor de brinquedos enquanto eles ainda estavam por perto, mas volta e meia eu caia na mesma besteira de me demorar e então ficar perdida. Sim, porque naquela época o mercado era um espaço gigante aos meus olhos e se eu não encontrasse meus pais eu estaria perdida! Bom, é bem verdade que eu conhecia aquele esquema de achar a moça do microfone e pedir pra ela chamar: "Sra. Rita, sua filha a aguarda no balcão", mas encontrar esta moça também seria um desafio naquele lugar imenso. Por isso eu lembro do sufoco que eu passava, a sensação de não estar segura ia crescendo enquanto eu caminhava loucamente procurando por aqueles que me levariam pra casa. Eu sempre os encontrava. Às vezes eu abraçava minha mãe e dizia que eu tinha me perdido e até perguntava por que ela não tinha me chamado quando ela saiu de perto dos brinquedos e às vezes eu só chegava e ficava perto, como quem sempre soube o que estava fazendo...rsrsrs.
Eu tentava ficar com eles e ser rápida no meu momento especial no corredor de brinquedos enquanto eles ainda estavam por perto, mas volta e meia eu caia na mesma besteira de me demorar e então ficar perdida. Sim, porque naquela época o mercado era um espaço gigante aos meus olhos e se eu não encontrasse meus pais eu estaria perdida! Bom, é bem verdade que eu conhecia aquele esquema de achar a moça do microfone e pedir pra ela chamar: "Sra. Rita, sua filha a aguarda no balcão", mas encontrar esta moça também seria um desafio naquele lugar imenso. Por isso eu lembro do sufoco que eu passava, a sensação de não estar segura ia crescendo enquanto eu caminhava loucamente procurando por aqueles que me levariam pra casa. Eu sempre os encontrava. Às vezes eu abraçava minha mãe e dizia que eu tinha me perdido e até perguntava por que ela não tinha me chamado quando ela saiu de perto dos brinquedos e às vezes eu só chegava e ficava perto, como quem sempre soube o que estava fazendo...rsrsrs.
Posso lembrar exatamente de como me sentia naqueles minutos perdida, os olhos aflitos correndo nos corredores que me assustavam por não me mostrarem que eu havia me encontrado de novo com meus protetores. Era muito ruim! Apavorante e amedrontador.
Essa sensação não se limitou à minha infância, não. Eu senti algumas outras vezes...logo que tirei minha carteira de habilitação eu vivi a mesma situação, em outro cenário. Eu sabia andar de ônibus e nunca fui boa em me localizar, conhecer os bairros, nomes de ruas..tudo isso eu me forcei a aprender depois que comecei a dirigir. Lembro de um dia em espacial em que me perdi, foi a primeira vez que eu fui pra faculdade, as aulas não tinham começado, mas eu precisava ir lá fazer alguma coisa e só pude ir no final da tarde. Fui sozinha porque meu pai, que até hoje é meu melhor GPS e também meu motorista particular de vez em quando, não podia ou nem estava na cidade. Quando saí da faculdade estava começando a escurecer e eu achei que sabia ir embora. Me perdi. A noite caiu e lá estava eu rodando em ruas cada vez mais desertas..com medo de ir ainda mais longe e me sentindo exposta...insegura... Comecei a ligar pra casa, pra pai, pra mãe...ninguém me atendia! É cômico como, quando mais precisamos, a coisa parece ficar ainda mais difícil. Consegui, finalmente, falar com meu irmão..a esta altura eu já estava chorando, falei pra ele: "Fee, me perdi, eu não sei voltar pra casa, to sozinha e eu não sei nem onde eu estou"... Aqui eu quero abrir um parenteses pra falar que o Felipe é um irmão cuja diferença de idade são de dois anos comigo, nossa adolescência sempre foi de muita encrenca, andávamos com os mesmos amigos e gostávamos das mesmas coisas, mas brigávamos feito uma coisa! Mas algo muito especial nele é que todas as vezes que eu realmente me desespero por alguma coisa, ele se torna o cara mais manso do mundo e me acalma de um jeito super fofo! Neste dia ele foi a minha fonte que me levou pra casa. Ele me pediu pra ir andando e falando o nome das ruas pelas quais eu passava, até que chegamos em uma determinada rua e ele disse que a partir daquela eu iria seguir as instruções dele.. me explicou tudo e ainda ficou ao telefone comigo por um tempo, até que eu estivesse realmente mais tranquila. Ele estaria em casa me esperando chegar pra me dar aquele abraço apertado que eu precisava depois de ter passado um sufoco danado!
"Porque eles não são do mundo, como também eu não sou. [...] Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo." João 17.16 e 18
Eu e você não somos deste mundo, este é apenas parte do caminho e Cristo é quem nos leva pra casa. É Ele quem nos ensina a fazer o caminho de volta... Fico aborrecida quando vejo as pessoas, vejo eu mesma me sentindo em casa por aqui... Achando que ter meu carro, minha faculdade, meu marido, meus filhos e tantas outras coisas que podemos acrescentar aqui e que nos fazem sentir tão confortáveis que achamos que já podemos descansar. Claro que todas estas coisas são boas, ninguém deve deixar de viver o que tem pra viver aqui neste lugar. A grande questão é viver todas as coisas neste mundo sabendo que não acaba aqui. As tuas grandes conquistas precisam ser aquelas eternas, aquelas que, junto de ti, vão ultrapassar as coisas deste mundo.
"Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo..." I João 2.15
Talvez você já consiga se desprender de algumas coisas e desejar as coisas do alto, aquelas da sua casa eterna, mais do que os sonhos de casa, bom emprego, etc e tal, mas também tem o processo de aprendermos a confiar quando as coisas não vão bem, não estão do jeito como planejamos... Porque se você se desespera por sei lá..ainda não ter se casado, porque ainda esta ganhando pouco, porque ainda não passou no vestibular...bem, você ainda não entendeu que àquele que te guia pra casa, sabe por onde você deve passar... Em qualquer circunstância, acredite, Jesus não vai te deixar perdido no mercado e ele vai atender a sua ligação pra te falar qual o caminho que você tem de fazer. Ele cuida de TODAS as coisas, NADA foge de seu controle! E ele está te esperando em casa para aquele abraço de quem anseia chegar no seu lar.
"Pensai nas coisas lá do alto, não nas coisas terrenas [...] Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória." Colossenses 3.2 e 4
https://www.youtube.com/watch?v=a5dd-x5FFys
Esta é a minha discípula amada... superando o mestre!!!
ResponderExcluir<3 Amo seu cuidado e a forma como se faz presente!
Excluir"Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam." Mateus 6:20
ResponderExcluirSaber que estamos enriquecendo no céu, nossa habitação para toda a eternidade é maravilhoso e recompensador! Que Deus nos ajude a fortalecer nossas raízes celestiais, quando o amor por esse mundo estiver muito forte.. realmente tita, vc não é desse mundo, NÃO MESMO hehehe amo vc! Ameeei o texto.
Amééém (de ovelhinha, rs). Obrigada, Lê!!! =)
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