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Passeio em alto mar



       Então, num belo dia, uma boa oportunidade. Fui acompanhar um tio, que é pescador, em sua pesca. Eu já havia andado de barco, mas a expectativa era diferente desta vez. Por quê? Porque íamos até alto mar e as pessoas sempre dizem que muitos passam mal sob estas circunstancias e tals... Levantamos cedo, bem cedo. Já estava fresco e o amanhecer, ainda escuro, parecia prometer um dia quente. Tomamos um cafezinho pra ajudar a acordar e partimos. Eu estava empolgada com a "aventura", rs.
          Durante o decorrer de tudo que acontecia, eu percebi algumas coisas...
Bem, o barco de pesca que utilizamos era simples. Motor à manivela, teto em armação de lona com laterais em aberto. Meu irmão (que estava junto) e eu, nos sentamos bem no meio do barco, o condutor fica atrás, guiando e manipulando as redes.
          Aprendi algo sobre paciência.
         O barco não deve passar dos 20 km/h, portanto, para se chegar onde deseja, é preciso ir dentro do limite de velocidade que o meio de transporte suporta. Nós víamos as ilhas de longe e sabíamos que passaríamos por elas. Parecia nunca chegar. Não era só uma questão de acelerar, era manter o foco, a direção certa e continuar simplesmente indo.
Sabe, não tinha congestionamento, nem lombadas ou semáforos, mas ainda assim estávamos fadados a submissos ao quase fatídico ritmo daquela embarcação. O percurso precisava ser feito, pacientemente.
        Num segundo momento eu percebi que as águas se movem ininterruptamente. Elas nunca param. elas fazem a gente, de dentro do barco, se mover o tempo todo. Não tem como se envolver com elas e permanecer estagnado. Até um banhista na beira mar está condenado à movimentar-se. As águas não te deixam parar. As águas nunca param.
             Mas quer saber o que me chocou?
          Foi quando, lá no tal de alto mar, o motor foi desligado e a âncora lançada (tipo, "estacionamos o barco"), neste momento o chacoalhar do barco se tornou ainda mais forte. Foi ali que pude sentir, verdadeiramente, o longo movimento das ondas. Foi quando "paramos" que mais nos "movemos". Contraditório, não? Às vezes temos tanta pressa em chegar, que nunca paramos. Acho que se estamos sempre indo, nunca chegamos. Parar é chegar. E foi naquele momento, com o barco "parado", que mais senti. Foi o desafio mor, eu pensei que aquele sobre e desce intenso podia causar náuseas a qualquer um... Pois se é exatamente quando eu paro que eu sinto mais forte a sensação de não estar parada, talvez eu devesse parar mais vezes...por mais tempo... Sabe quando a gente corre feito doido por algum motivo qualquer, só por correr mesmo e depois, quando a gente para, o coração parece saltar lá dentro, batendo descompensadamente? E ele é a única coisa que sentimos no corpo inteiro?

           E após alguns instantes, tentando recuperar o fôlego, porque esse coração disparado parece não permitir nem a própria respiração e um calor começa a ser sentido no corpo... Pois é! Onde estava este coração enquanto corria? Se passarmos uma vida correndo, talvez jamais sintamos nosso forte coração batendo ou o forte balanço das águas que, na verdade, nunca pararam...

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". Mateus 11:28-30


            Por fim, no meio do caminho, durante este tempo, pudemos ver alguns botos, um nascer do sol incrivelmente lindo e outras belezas mais que fizeram esta viagem mais bela. Foram como os bônus, prêmios. Lembrei que Deus tem prazer em agradar seus filhos. Ele não apenas supre nossas necessidades, Ele nos dá mais. Oferece-nos mimos. Detalhes. E quer saber? Eu não passei mal. Senti muito sono com aquele balango gostoso..rs.

         Eu desejo que saibamos nos mover e também saibamos parar. E, em meio ao dia-a-dia, possamos perceber as pequena belezas oferecidas a nós.

Comentários

  1. Ei, gostei, muito bom!!!

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  2. Se tivesse parado na fotografia, o poema estaria feito e o sentimento estaria montado e entendido! Seria quase uma parábola fotográfica!rs Gostei da foto!
    A simplicidade da narração e descrição rumo á metáfora é cativante.
    "...E, em meio ao dia-a-dia, possamos perceber as pequena belezas oferecidas a nós". Você fez com pureza e de forma descomplicada isso de estar e sentir uma situação e enxergar as belezas e liçoes maiores da mesma. "Foi quando "paramos" que mais nos "movemos". Muito bom!

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