
Sobre o evangelho...
Recentemente li o livro da Landa
Cope, o “Modelo Social do Antigo Testamento”, lançado em 2007, o livro explica
a visão de um evangelho completo, dando significado a toda criação de Deus, um
Deus que se preocupa com o simples detalhe como a beleza de um utensílio à
forma como a economia de uma sociedade se movimenta. Landa traz detalhes sobre
as principais áreas de influência da sociedade, como uma redescoberta bíblica,
são elas: Governo; Economia; Ciência; Igreja; Família; Educação; Comunicação;
Artes e Entretenimento. É um livro que tem inspirado as pessoas, ao menos as
pessoas que eu conheço e que o leram, Deus tem falado com elas através deste
livro. Também os comentários que li na internet, todos fazem referências
positivas ao livro, coisas como “todo cristão deveria ler este livro”.
Logo depois tive a oportunidade
de ler Hans R. Rookmaaker, importante crítico cultural protestante do Século
XX, confesso que esperava um pouco mais do livro em questão, “A arte não
precisa de justificativa”, porém, como todo livro (ouso dizer!), sempre há
aproveitamento e aprendizado. Com este não foi diferente, foi surpreendente,
não da forma como esperava, mas fiquei surpresa quando percebi sua ideia de
evangelho, de verdade cristã quando li: “o significado da vida cristã foi
rebaixado apenas à vida devocional [e olha que isso, às vezes, já é incrível
pra gente]. De forma branda, extensas áreas da realidade humana, como a
filosofia, a ciência, as artes, a economia e a politica, foram entregues ao
‘mundo’, já que os cristãos se concentravam principalmente em atividade
piedosas” (Rookmaaker, 1977).
O que me deixou admirada foi
perceber a relação do entendimento dos dois autores sobre uma verdade bíblica
tão negligenciada, dois autores que viveram separados pelo tempo de quase um
século de diferença, num mesmo mundo certamente, porém um mundo de constante
transformação e ambos perceberam uma verdade que até hoje não tem relevância
(ao menos não como deveria) dentro das mensagens e pregações que ouvimos por
aí. Penso que temos, como igreja, acreditado que o evangelho é apenas um
evangelho de salvação, tipo, a pessoa aceita Jesus e daí beleza, viramos as
costas e vamos procurar outra pessoa a quem falar de Deus. A gente não percebe
que “...por meio dele, Deus criou tudo, no céu e na terra, tanto o que se vê
como o que não se vê, inclusive todos os poderes espirituais, as forças, os
governos e as autoridades. Por meio dele e para ele, Deus criou todo o
Universo” (Colossenses 1:16). Deus teve o cuidado de nos ensinar sobre tudo,
ele nos deu sabedoria para construirmos casas e prédios, nos capacitou para
criarmos melodias e nos ensinou a extrairmos da natureza cuidados para nosso
corpo, e mesmo assim temos insistido durante os séculos que a ciência não é de
Deus, que a música pode não ser de Deus, que a tecnologia não é de Deus e só
Deus sabe tudo que temos tirado a autoria dEle e entregue a sei lá quem,
pensando que um professor, um coletor de lixo ou um médico exercem funções
“seculares” e não servem a Deus e ao próximo quando estão trabalhando, Ora
seja! Não fosse pelos homens que construíram a minha casa, onde morariam minha
família e eu?! Eles podem até não saber, mas cada tijolo assentado glorifica o
nome do Senhor. Não importa o que você faz, eu tenho certeza que Deus é honrado
através de seu serviço. E Através de todo o serviço as pessoas são
evangelizadas, a salvação é apenas o primeiro passo para uma vida restaurada e
estruturada, Deus é um Deus de detalhes, meu querido!
No Salmo 115 lemos que os ídolos
podem ter boca, olhos, ouvidos, narizes, mãos, pés ou gargantas, mas de nada
servem se não podem ser usados. Os criadores e credores destes ídolos tornam-se
como eles. Então eu me pergunto que ídolos tenho criado e me tornado como,
assumindo um postura de muda, de cega, de surda, de imóvel, de inteligível, a
ponto de não compreender a verdade de Deus na minha vida, a ponto de limitar o
Deus criador de todas as coisas, colocando-o dentro de quatro paredes com uma
placa do lado de fora escrita “igreja”. Quem é a igreja?
Martinho Lutero, o grande
reformista, já dizia que “um evangelho que não trata dos assuntos atuais, não é
o verdadeiro evangelho”, está na hora de entendermos o evangelho ilimitado e
começarmos a vivê-lo. Não quero esperar os anos passarem para perceber que as
coisas continuam da mesma forma, quero viver e influenciar a minha sociedade
com o que eu tiver para oferecer.
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